5.29.2011

Christine Greiner y Marco Souza, compiladores de IMAGENS DO JAPAO, editado por Annablume, con el apoyo de Japan Foundation, 2011, Sao Paulo, Brasil.

Presentamos el índice y la presentación de este interesante libro, que reúne investigaciones, intervenciones poéticas y provocaciones, editado por Annablume, con el apoyo de Fundacao Japao en Sao Paulo.


Sumário

Introdução - Christine Greiner

Parte 1 – O Japão nas Telas
Samurai Champloo: o tradicional remixado de Shinichiro Watanabe - Roberta Regalcce de Almeida
Imagens e Miragens: O Espaço na Tela e a Subjetividade do Espaço – Marco Souza
Limiar, imagem e corpo: política e estética em Ichi, o Assassino, de Takashi Miike -
André Keiji Kunigami

Parte 2 – Arte e Corpo
A História da arte é globalizada? Um comentário crítico de um ponto de vista do Extremo Oriente - Inaga Shigemi, trad. Marco Souza
Pornoerotismo e estética pop na arte japonesa – José Afonso Medeiros Souza
Orientalismos, japonismos, pós-colonialismos – o papel do corpo na arte de viver junto – Christine Greiner

Inquietações Poéticas
Butô, Kazuo Ohno, Dança Japonesa e Eu?
Letícia Sekito
HAIKU, FORMA POETICA DA MODERNIDADE
Amalia Sato


Parte 3 - O Japão no Brasil, O Brasil no Japão
A recepção dos filmes japoneses nos cinemas da Liberdade - Alexandre Kishimoto
Reinvenção do “Japão inventado”: a experiência do coletivo de artistas moyashis no Centenário da Imigração Japonesa no Brasil - Erika Kobayashi
DO KASATO MARU AO PORTO DIGITAL: AS IDENTIFICAÇÕES E A IDENTIDADE COMUNICATIVA EXPRESSAS EM BLOGS DE DEKASSEGUIS– Juliana Kiyomura
O Instituto de Moralogia: uma etnografia de sentimentos e relações - Letícia NAGAO e Ronan Alves PEREIRA


Introdução
Quando se chega ao extremo, o limite vira ponte

Nem todos sabem, mas o Brasil não possui apenas a maior colônia de imigrantes e descendentes japoneses fora do Japão, como também o maior número de pesquisadores em estudos japoneses de toda a América Latina.
Os temas pesquisados variam muito e, desde 2000, graças à proliferação de estudos (acadêmicos e artísticos) e do crescente interesse de algumas editoras, contamos com uma bibliografia bastante razoável.
O ano de 2008 foi particularmente importante devido às comemorações do centenário da imigração japonesa para o Brasil que despertou novas iniciativas, inclusive no mercado editorial. Atualmente, encontram-se entre os títulos disponíveis: traduções de obras de literatura e poesia japonesa, pesquisas desenvolvidas por brasileiros em universidades que contam com centros de estudos (japoneses, asiáticos e orientais), livros autobiográficos de imigrantes e manuais de divulgação acerca dos mais variados assuntos. Entre eles, destacam-se experiências no campo das artes do corpo, da língua e da literatura, da caligrafia, dos mangás e animês, tópicos referentes à cultura japonesa em geral, economia e negócios, audiovisual, gravuras, culinária, cerâmicas, pinturas, arranjos florais, religião e artes marciais.
Há também algumas traduções de pesquisas realizadas em outros países ocidentais sobre a cultura japonesa, mas esta tem sido uma iniciativa pontual, quase sempre promovida por professores brasileiros com recursos irrisórios, uma vez que não há apoios específicos para este tipo de projeto, o que inviabiliza, muitas vezes, a produção dos livros nas editoras universitárias. Mesmo esta coletânea está sendo viabilizada pelo esforço conjunto dos editores e colaboradores, com um orçamento mínimo, graças ao apoio da Fundação Japão de São Paulo e da editora Annablume.
Como ocorre em todos os campos de conhecimento, o aumento quantitativo da produção nem sempre atesta a sua qualidade. E especificamente no que se refere à cultura japonesa, algumas obras ainda são influenciadas por abordagens que transitam entre a fascinação e o preconceito sutil. Para aprofundar esta discussão, a tradução do texto do professor Inaga Shigemi para este volume, problematiza de maneira bastante aprofundada a questão da globalização na história da arte.
Assim, de modo geral o objetivo desta coletânea não é avaliar a produção bibliográfica dos estudos japoneses no Brasil, nem organizar um panorama das traduções da cultura e da arte japonesa. A proposta é apresentar, lado a lado, estudos originais realizados por novíssimos pesquisadores e por professores já mais experientes que observam o Japão a partir de diferentes ângulos de visão – tanto no que se refere às epistemologias escolhidas, como à sua localização geográfica, umas vez que convidamos autores de diferentes estados do Brasil e também da Argentina e do próprio Japão.
Divididos em três partes e um entreato, os textos transitam por eixos temáticos. Na primeira parte, são apresentadas experiências transculturais veiculadas através das diversas telas: o remix da série de TV Samurai Champloo de Shinichiro Watanabe (Roberta Regalcce de Almeida), as implicações estéticas e políticas do cinema de Takashi Miike (André Keiji Kunigami) e uma análise mais geral acerca da paisagem de telas do mundo atual (Marco Souza).
Na segunda parte, são apresentadas questões provocativas sobre a arte e o corpo. Os debates analisam a globalização e os modos como a história da arte vem sendo abordada (Inaga Shigemi); o pornoerotismo da arte pop (Afonso Medeiros); e a importância dos estudos do corpo na arte de viver junto (Christine Greiner).
No entreato, incluímos inquietações poéticas sobre a morte do mestre de butô Kazuo Ohno (Letícia Sekito) e o Haiku (Amalia Sato).
Na terceira e última parte, o foco são pesquisas de campo realizadas a partir das relações nipo-brasileiras como a chegada dos filmes japoneses no bairro da Liberdade (Alexandre Kishimoto); as reinvenções da arte pop e as ocupações urbanas do coletivo moyashi (Erika Kobayashi); a articulação política dos blogues dos dekasseguis (Juliana Kiyomura); e a formação da moralogia no Brasil (Letícia Nagao e Ronan Alves Pereira).
Em todos os textos e depoimentos, fica evidenciada a importância da remixagem cultural. Nas experiências mais extremas, o que poderia se configurar como um limite, finalmente, torna-se ponte para abrir novos caminhos de diálogo e convivência, colaborando, acadêmica e poeticamente, com as novas comunidades que ainda estão por vir.

Christine Greiner